Maracatu – Nação ou Rural

O baque do Carnaval de Pernambuco

Maracatu 

Não há consenso sobre a origem do nome mas maracatu é sinônimo de Pernambuco, ou melhor, do carnaval de Pernambuco. É nessa época que eles brincam com mais intensidade.

Os Maracatus Nação, também chamados de baque virado, são mais antigos. Apareceram no final do século XIX ligados aos terreiros de candomblé Yorubá que existiam na clandestinidade, principalmente em Recife. Ainda havia escravidão quando alguns deles começaram a brincar no carnaval, época em que os atabaques não eram proibidos. Poucos ainda são dessa época. A presença do rei, rainha, do palio e da corte, mostra que, lá no início, tiveram uma influência dos bantos e das congadas, mas se fortaleceram mesmo nos terreiros Nagôs. Fizeram da segunda feira de carnaval, a Noite dos Tambores Silenciosos, data de homenagear os mortos e de pedir a proteção de Exu, porque vão sair às ruas, e de Iansã, que comanda os eguns ( espíritos )

Caboclinho e Maracatu

O Maracatu Rural ou de baque solto surgiu no início do século XX, nos canaviais pernambucanos próximos à cidade de Nazaré da Mata. Não havia mais escravidão mas havia  trabalho escravo nos engenhos de cana e usinas de açúcar. Na sua origem o maracatu rural era também uma forma de protesto, de defesa da dignidade, e o guerreiro ou caboclo de lança foi, aos poucos, se tornando o grande símbolo dessa revolução brincante. Na sua história, há um passado violento, de enfrentamento, agressividade e disputa e há quem diga que isso era consequência da revolta alimentada pelas condições degradantes do trabalho de corte da cana. 

Maracatu

Maracatu

A mística do maracatu rural parece estar mais ligada aos terreiros de Umbanda e às pajelanças indígenas, de onde vem procedimentos de proteção e purificação, que incluem a abstinência sexual por um período anterior ao carnaval, seguidos criteriosamente por alguns brincantes.

Maracatu

Com a mecanização da lavoura e a diminuição do trabalho no corte de cana, muita gente deixou o interior e se mudou para Recife, em busca de trabalho e condições de vida. Com isso, o maracatu rural chegou também à capital e inspirou novos grupos que nem sempre tem a tradição do desabafo e do protesto.

Maracatu

Os dois maracatus sofrem, como quase toda bem sucedida manifestação da cultura popular, a influência do tempo e dos interesses do poder público e da mídia, que tentam fazer de qualquer brincadeira, um espetáculo para ser visto por quem está apenas de passagem pela cidade ou pelo monitor de televisão, mas o de baque solto parece ser o que mais padece com isso.  A inclusão da corte, que originalmente não existia, é fruto dessa intromissão.

Maracatu

Também a projeção do caboclo de lança como símbolo, não só do carnaval, como também do estado de Pernambuco, superando o frevo, muito mais antigo e tradicional, é resultado da exposição dessa personagem como atração turística, desvinculada de suas origens sociais.

Maracatu

Para todos e principalmente  para os que permanecem no interior, trabalhando na cana, no campo e nos bicos que aparecem nas entressafras, o cachê das apresentações do maracatu rural, ainda que pouco, é mais uma renda que não pode ser desprezada. Assim, o maracatu rural vai aos poucos atraindo pessoas com interesses diversos que também tem o prazer e o orgulho de participar.

Caboclinho e Maracatu

O maracatu nação se expõe menos, pela própria natureza de sua existência. Ele é parte do culto aos Orixás e seu único grande momento no carnaval é a Noite dos Tambores Silenciosos. Sua batida é mais cadenciada e solene, e não conta com as cores fortes dos cabocos de lança. Além disso, o respeito, possivelmente preconceituoso,  por conta da sua ligação com o candomblé, parece fazer com que o maracatu nação seja menos cortejado pela mídia e menos importunado pelos que desejam fomentar espetáculos. Apesar de mais antigo ele é menos conhecido, o que acaba sendo uma vantagem na preservação de sua identidade.

Caboclinho e Maracatu

Mas nem tudo é negativo nessa exposição exagerada do maracatu rural. Ela incentivou o cuidado com as fantasias, especialmente a confecção da gola do caboclo de lança, que nunca é igual a dos outros, o aprimoramento dos mestres e dos cantadores das loas. Ações que fazem com que a apresentação do maracatu rural seja uma experiência cativante, especialmente as evoluções dos guerreiros de lança, debaixo do sol, vestindo uma roupa que pode pesar até 30 kg, incluindo a gola e o surrão, a armação de madeira que sustenta os sinos que batem quando o caboclo se desloca andando ou correndo.

Maracatu

Virado ou solto, nação ou rural, maracatu é sinônimo de Pernambuco, de sentimento, homenagem e oração do povo pernambucano. De ritmo, canto, felicidade e protesto. Alegre reivindicação de quem trabalha e brinca na noite e no sol pernambucano.

 

 

 

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