Arte Tumular - Cemitério da Consolação - São Paulo - SP

 

Diz o dito popular que a morte é a única coisa certa nessa vida. Além de ser verdade, essa frase expressa uma consciência que só o ser humano tem sobre seu destino. Somos, certamente, os únicos seres vivos neste mundo que sabem que vão morrer e que se sensibilizam com isso.

Arte Tumular

Essa sensibilidade nos acompanha desde que somos um ser humano. Desde que começamos a caminhar na direção do Homo sapiens e fica evidente justamente pela forma com que eram tratados os mortos desde os tempos mais remotos. A inumação ( sepultamento ) já existia há cerca de 100 mil anos. Todavia, é quando o ser humano deixa de ser nômade e começa a cultivar a terra, domesticar animais, desenvolver a cerâmica a habilidade têxtil e sobretudo, as ferramentas, que a prática do sepultamento se torna mais frequente. Antes disso, os corpos eram jogados nos rios ou cobertos com pedras para evitar que fossem devorados por animais carnívoros, o que já demonstra um certo respeito pelos mortos.

Arte Tumular - Cemitério da Consolação - São Paulo - SP

Arqueólogos encontraram homens de Neandertal sepultados na posição fetal, como que a espera de um renascimento. Essa forma de sepultamento era portanto muito mais que uma proteção.

Os cemitérios mais antigos datam de 10 mil anos, com túmulos individuais e coletivos.

As pirâmides do Egito datam de cerca de 2.500 anos A.C e são provavelmente o mais conhecido cemitério do mundo e a mais famosa homenagem aos mortos.

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Entre 5 e 2 mil anos A.C. o culto aos mortos se desenvolve bastante, incluindo a inumação precedida de cortejos e o sepultamento com objetos pessoais , embora a cremação também acontecesse, com menos frequência.

Arte Tumular - Cemitério da Consolação - São Paulo - SP

A partir do século IV, com a difusão do cristianismo no império romano, a cremação passou a ser proibida e a inumação teve um aumento considerável. Os cristãos enterravam seus mortos nas catacumbas, palavra que em sua origem grega significa cavidade. As catacumbas eram cemitérios coletivos subterrâneos com cavidades nas paredes, construídas fora dos muros das cidades.

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Na idade média, a partir do século VII, os cemitérios começam a ser construídos no perímetro urbano, ao redor das igrejas e mesmo dentro delas. Até o início século XVIII era da Igreja a responsabilidade de enterrar os mortos. Entretanto, nos meados do século XVIII vários países europeus começaram a manifestar sua preocupação com a inumação nas áreas urbanas. O cheiro dos cadáveres impregnava o ambiente das igrejas onde estavam enterrados e os arredores de cemitérios. Entre os anos de 1770 e 1780, os enterros começaram novamente a ser banidos para a periferia das cidades. Essa prática é defendida até hoje pelos sanitaristas modernos. Todavia, nos grandes centros urbanos, o crescimento das cidades acabou por abraçar novamente os cemitérios, antes isolados, e a inclui-los outra vez no cenário metropolitano.

Arte Tumular - Cemitério da Consolação - São Paulo - SP

Durante séculos o homem se preocupou em acomodar os que morreram, pensando na vida futura, transcendente. Com a evolução da ciência e da tecnologia, o que era considerado sobrenatural foi diminuindo. A humanidade se esqueceu dos deuses e da transcendência; os cemitérios passaram a ser chamados também de necrópoles e se tornaram também um local para homenagear os mortos pela vida passada; a vida desse mundo. Permanece a certeza de que se vai morrer, mas diminuiu a preocupação com a vida depois da morte e aumentou a importância dada à vida antes da morte.

Arte Tumular

Nas necrópoles de hoje, a referencia à eternidade, expressa nas sepulturas com imagens de anjos e cruzes, existe ao lado de bustos dos falecidos e de esculturas de bronze e mármore que falam apenas de saudade e da importância que quem ali está, teve como político, médico ou pai de família. E se a morte a todos iguala, os cemitérios também se tornaram espaços onde a distinção de classes fica evidente pela imponência de alguns túmulos e pela importância artística do autor e da escultura que o enfeita.

Arte Tumular

Em São Paulo, por exemplo, onde o ciclo do café e o crescimento das indústrias enriqueceu várias famílias, os cemitérios se tornaram galerias de arte, conhecida com arte tumular, que tornaram as necrópoles um ambiente para um, talvez mórbido, passeio turístico.

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